quinta-feira, 5 de abril de 2012

A poucos passos da liberdade...



Hoje vim para falar um pouquinho de mim e das coisas que vem acontecendo comigo desde que o ano de 2012 começou, afim de incentivar à outros FtMs, e também MtFs, a jamais desistirem de seus sonhos.






Lição nº 1 - Não desperdice as oportunidades:

Em janeiro, minha prima, que também é a minha melhor amiga, veio até mim pedir para que eu entrasse com ela na academia. Titubeei um pouco mas, diante de sua insistência, aceitei o pedido e me matriculei na academia aqui de meu bairro, bem próxima de minha casa.
Por que titubeei?
Bem, desde janeiro de 2011, fui diagnosticado pelo psiquiatra com a temível Fobia Social. Eu não saía de casa para nada, tinha medo de tudo e de todos. Fobia Social é uma das coisas que mais atinge a transexuais, acreditem, e eu fui tomado por esse problema também.
Mas, lá me fui para a academia. Nos primeiros dias, eu tremia de pavor, diante de tantas pessoas desconhecidas, mas por ter minha prima sempre junto a mim, esse temor foi passando...
Dois meses depois, minha prima mudou-se de bairro e eu fiquei em dúvidas de continuar ou não na academia. Optei pelo sim e isso só me fez bem... A prática de exercícios físicos distrai a mente, fortalece o corpo, dá mais ânimo para tudo na vida. Fato.
Ao saberem sobre mim, meus instrutores passaram a me tratar pelo gênero masculino e estão dando a maior força!


Lição nº 2 - Não espere que os outros lutem por você:

Bom, desde que assumi minha transexualidade, no início de 2011 (quando você tira um tempo para si mesmo e  reflete sobre sua vida, muitas coisas vem à tona e você se vê no momento certo de tomar decisões), resolvi correr atrás das mudanças necessárias para adequar minha mente a meu corpo. Em pesquisas na Internet, encontrei a Associação de Travestis e Transexuais de Florianópolis, cidade onde nasci e resido. Sempre acompanhado de minha mãe para poder sair de casa, fui até lá, afim de obter alguma ajuda e esclarecimentos.
Olha, não sei quanto aos outros Florianopolitanos, mas, para mim, de nada adiantou. Me senti enganado por certas coisas que foram ditas à mim e pela falta de atenção. E-mails não respondidos, dúvidas não esclarecidas, um total descaso para comigo. Dessa associação, não quero nada, não quero mais saber.

Então, passei a lutar sozinho. Concluí que, se a luta é por mim, quem deve lutar sou eu. A Internet é a minha melhor arma, pois através dela, encontro tudo de que preciso. Enviei muitos, mas muitos e-mails. Também realizei muitos telefonemas.

Eu sei que através do SUS é possível realizar o tratamento e cirurgias, mas eu esperar por 2 anos? Jamais! Não estou doente, sei o que sou e do que preciso. Não irei me submeter a 2 anos de acompanhamento. Isso é ridículo! Sou um homem que conhece muito bem a si mesmo e sabe o que quer!

Procurando por maiores esclarecimentos, eu soube que pode-se realizar tudo o que é preciso através do serviço particular de saúde. Como estou em perícia médica por causa da Fobia Social, que melhorou consideravelmente, mas ainda me detém em algumas questões, resolvi buscar ajuda dos profissionais da rede particular, usando o plano médico que possuo através da empresa na qual estou ainda empregado.
Enviei um e-mail para a clínica* na qual costumo sempre ir quando preciso, perguntando se os médicos endocrinologistas de lá tem conhecimento sobre a transexualidade e se algum deles poderia me atender. A resposta para meu e-mail foi imediata, onde a própria Gerente de Marketing do local me passou seus números de telefones pessoais para que eu entrasse em contato diretamente com ela. E assim o fiz. Ao ligar, prontamente ela me tratou durante todo o tempo por Matheus. Que mulher incrível! Sua simpatia, disposição e desprendimento são admiráveis! Então, ela me explicou que nenhum dos médicos endocrinologistas da clínica já havia atendido transexuais e, portanto, não tinham nenhuma experiencia nesta questão. Entretanto, ela me sugeriu um médico endocrinologista* renomado daqui de Florianópolis, que ela tinha certeza que me ajudaria, fosse me atendendo ou me indicando um outro profissional.

De posse dos contatos desse médico, enviei-lhe um e-mail. Na resposta, ele disse-me que já atendia transexuais e que iria me atender. Eu lhe expliquei não ter condições financeiras para pagar as consultas e lhe perguntei se ele atendia pelo meu plano médico. Então, ele disse que, além de uma clínica particular, ele tem um ambulatório no Hospital Universitário e que o atendimento lá é gratuito, mas era preciso eu esperar, pois a demanda é grande. Esperei, mas sem nunca deixar de me manifestar, afim de sempre lembrá-lo de minha existência e necessidade.


Lição nº 3 - Arrisque, não importa o preço!

Sabendo que na cidade do Rio de Janeiro há um cirurgião*, especializado em transexualidade e que já realizou cirurgias em amigos transexuais, resolvi entrar em contato com ele, afim de saber os valores e tudo o que é preciso para realizar a cirurgia de mastectomia (ou masculinização de tórax, que é como eu prefiro chamar). Tudo o que ele me pediu foi uma carta do médico endocrinologista, dizendo que estou realizando o tratamento hormonal com ele, bem como ultrassons de peito e abdômen. Sim, o preço da cirurgia também me foi passado. E sim, eu não tenho a mínima condição para pagar, mas tenho crédito junto a financeiras e lojas que disponibilizam empréstimos. E será isso o que eu farei. Sei que terei de trabalhar duro para pagar cada prestação desse empréstimo, mas valerá muito a pena. Trabalharei com gosto, feliz por não ter mais essas coisas penduradas no meu tórax.

Esta semana, o médico endocrinologista me ligou marcando minha primeira consulta com ele. Em vias de iniciar meu tratamento hormonal, creio que falta muito pouco para realizar o sonho de retirar de meu corpo algo que não faz parte de mim. Muita coisa vai mudar e mudar para a minha realização pessoal.

Ontem realizei as ultrassonografias solicitadas. O médico* que me atendeu merece todos os meus elogios. Fiz em uma clínica que faz parte da clínica onde atende pelo meu plano médico, ou seja, não paguei nada.

Esse médico, ao saber sobre minha condição e o desejo de passar pela cirurgia de masculinização de tórax, demonstrou-me carinho e respeito. Disse que ninguém pode me julgar, pois não devo nada à ninguém e só quero ser feliz. Ele disse ainda, exatamente com estas palavras: "Quem sente preconceito, é que está errado, doente, e precisa de tratamento, e não você!"

Seria um anjo? Não, não, apenas um homem esclarecido e livre. Sim, porque quem sente preconceito não é livre. Fato.


Lição nº 4 - Faça por merecer!

Esforce-se para ser alguém digno de merecer as conquistas! Não adianta nada você lutar pelo seu bem se não faz nada pelo bem de seus semelhantes. É difícil ser uma boa pessoa diante de tanto preconceito e impedimentos, mas tente! Ao fazermos o bem, ele volta para nós! Mas faça de todo o coração, não por interesse!
Seja Humano antes de qualquer outra coisa!


Conclusão:

Você, FtM ou MtF, que não tem um plano médico e não tem crédito na praça, faça por onde. Demoraram pra começar a ir atrás disso. Muitos só reclamam, mas não fazem nada por si mesmos.
Arrume um emprego, mesmo que não queiram tratar-te pelo teu nome social. Muitas vezes, é preciso humilhar-se para alcançar objetivos. Se tal empresa não conceder plano médico, junte dinheiro! Eu era assim: recebia meu salário e jogava tudo fora. É hora de começar a guardar dinheiro! Sem dinheiro ninguém faz nada! Aquela frase: "dinheiro não trás felicidade" pode servir para alguns, mas para nós, transexuais, trás sim!

Para ter crédito na praça, compre! E compre em lojas conveniadas a financeiras, pois assim você se torna cliente das financeiras. E quando precisar de dinheiro, terá um valor lá te esperando.

Só reclamar e chorar pelos cantos não te levará à lugar algum! Mexa-se! Se eu consegui, qualquer pessoa poderá conseguir também!


Boa sorte à todos e que Deus os abençoe e os guie pelos caminhos certos!
São meus sinceros votos à todos os transhomens e transmulheres do mundo!



*os nomes das clínicas e médicos não foram expostos por questões de ética. À quem quiser maiores informações, favor entrar em contato por aqui.




domingo, 1 de abril de 2012

Transexual paulistana é a mais velha a fazer cirurgia de "troca de sexo"

FONTE: UOL


A cabeleireira aposentada Andréia Ferraresi, 68, de São Paulo, é a transexual mais velha do país a fazer uma cirurgia para troca de sexo. Registrada ao nascer como Orlando, ela esperava pela operação desde 1979, quando recebeu o diagnóstico de transexualidade. Sem dinheiro para pagar pelo procedimento, teve que aguardar até que a cirurgia fosse feita no SUS. Foi operada no dia 27 de fevereiro, no HC. Leia o depoimento concedido por ela à Folha

"Sofri muito na vida por um conflito de identidade e esperei por essa cirurgia desde 1979, quando procurei o HC e recebi o diagnóstico de transexualidade.

Na época, o SUS não fazia a cirurgia. Quem fazia eram os médicos particulares. Fui a dois e me cobraram um preço exorbitante. Minha mãe disse que não tinha dinheiro e eu entendi. Ela já sofria, se sentia culpada por mim.

Sou a caçula de 11 irmãos e todos eram "normais". Os irmãos que nasceram pouco antes de mim eram homens e minha mãe queria que a última fosse menina. E nasceu uma menina, mas com os órgãos que os outros tinham.

O sofrimento sobrou para mim, com "bullying" na escola e aquele conflito de você sentir uma coisa e não ser o que você sente.

Na infância, só brincava com as meninas. Um dia, no colégio, ganhei uma boneca na rifa e os meninos falaram: "Mariquinha, mariquinha!". Eles pensavam que estavam me ofendendo, mas quanto mais falavam mais orgulho eu sentia da boneca.

Com 14 anos, peguei o vestido da minha irmã. O povo dizia que tinha caído certinho em mim. Minhas vizinhas me deram saias e comecei a usar roupa de mulher.

Quem aceitou mais foi minha mãe. Ela sempre quis me proteger. Mas meu pai e um irmão me perseguiram até eu fazer os exames que provaram que eu era transexual.

Quando saiu o diagnóstico me pediram até perdão. É muito ruim você se sentir reprimida pela própria família.

Ainda teve o regime militar. Os transexuais sofreram demais com perseguições policiais. Cheguei a ficar um mês na prisão, mas o juiz me soltou. Viram que eu não tinha perigo nenhum, nunca fui criatura de beber, de vida fácil. Sempre tive meu trabalho de cabeleireira.

O tempo foi passando até que encontrei o CRT [Ambulatório para Saúde Integral de Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids], em 2009. Quando cheguei, estava numa depressão fora do comum, um trapo.

Comecei o tratamento com o psiquiatra, tomei remédios por um ano e fui encaminhada para a operação. Sou a primeira do ambulatório a fazer a cirurgia e vou abrir a porta para muitas que precisam.

IDADE
O povo dizia: "Mas não é um pouco tarde para você fazer a cirurgia?". E eu respondia: "Não, eu ainda preciso viver, não vivi minha vida! Estou começando só agora".

Eu tenho idade de vovó, mas me sinto forte e feliz. A velhice está na cabeça das pessoas. Os homens, quando passam por mim na rua, falam: "Quanta saúde!".

Se eu puder pegar um forrozinho, eu vou, faço dança do ventre. Um médico me disse: "Do jeito que está indo, a senhora vai viver uns 95". E eu disse: "Quero viver ainda mais, doutor!".

A cirurgia mudou tudo. Esqueci aquele passado de sofrimento. O que interessa agora é daqui pra frente.

Fiquei muito satisfeita com o resultado. Não tem uma cicatriz. Parece que eu nasci assim. Estou até me sentindo mais bonita.

Já uso o nome Andréia Ferraresi porque um juiz me deu autorização, mas agora está correndo o processo de mudança de sexo também no registro. Quero que aconteça rápido porque preciso casar, preciso de um amor.

Estou solteira, mas a minha felicidade é tanta que namorar é coisa secundária. Quero um amorzinho, mas com o pé no chão. Ficar na vida promíscua eu não quero, porque hoje em dia a doença venérea está demais.

Eu transava bastante quando era mais nova e não tinha Aids. Era um tempo bom. Pena que não vivi integralmente com essa periquita (risos).

Hoje me valorizo mais. A vida não se resume em sexo. Não é porque fiz a cirurgia que vou ficar no oba-oba. Eu fiz para mim, para a minha identidade, para me olhar no espelho e ver que sou mulher, não ver aquela coisa estranha que não estava combinando.

A cabeça da gente muda quando sai da mesa de operação. Ela elimina o que você tem de transtorno na sua cabeça. Fui solta de uma gaiola que me aprisionou por todos esses anos.

Hoje, a passarinha está voando, solta, feliz da vida. Os problemas parecem não ter o tamanho que tinham. Antes pensava que se não consegui um emprego era por causa de preconceito.

Hoje dou uma banana pro preconceito. Só importa que estou feliz da vida, mostrando que idade não tem nada a ver."


quarta-feira, 28 de março de 2012

Documentário sobre bullying finalmente vai estrear sem classificação etária.



Depois de muita polêmica em torno do novo documentário ¨Bully¨, finalmente o filme vai ser lançado sem classificação etária, o que faz o diretor Lee Hirsch acreditar que as crianças irão querer ver o filme, e cabe aos cinemas decidir se deixam elas entrarem ou não. 

O documentário mostra os ataques incessantes de assédio moral no sistema escolar americano e vai ser lançado na próxima sexta-feira em Los Angeles e Nova York, sem nenhuma classificação. A decisão na verdade de permitir a entrada de crianças vai caber aos donos dos cinemas. Isso porque decidiram retirar a classificação do filme que antes só poderia ser visto por maiores de 17 anos. 

A jovem lésbica, Katy Butler, responsável por arrecadar cerca de meio milhão de assinaturas pedindo a reclassificação do filme, comemora a decisão: 

- Eu estou feliz que ¨Bully¨ irá manter a sua autenticidade e será um retrato fiel do que milhares de jovens sentem todos os dias. 

Sobre a decisão de não ter editado a linguagem utilizada pelos adolescentes no filme, o diretor explica: 

- A pequena quantidade de linguagem no filme, que é responsável pela classificação para maiores de 17 anos, está lá porque é real. É o que as crianças que são vítimas de bullying encaram todos os dias. Todos os que nos apóiam vêem isso e estamos gratos pelo apoio que temos recebido. Eu sei que as crianças vão vir então vai depender dos cinemas deixarem ou não elas entrarem.

FONTE:ENTRE NOS

No caminho certo. (Minha experiência pessoal)


Ola galera há tempos não venho por aqui a correria do dia a dia me afastou um pouco do blog mais estou de volta e vim compartilhar com vocês essas experiências que passei por esses dias longe do me veja como sou.
Bom esses dias atrás olhei um anuncio e mandei um currículo para uma empresa de cobranças, passou algumas semanas e nada de me ligarem, pois então na semana passada eles me ligarão e lá fui eu para uma entrevista, fui apreensivo e muito inseguro, pois não imaginava como seria tratado lá.

Chegando me sentei e suava muito e tremia de nervosismo, meu celular toca e minha namorada me ligando pra me dizer boa sorte aquilo me acalmou um pouco mais logo depois, que desliguei o celular voltei a ficar novamente tenso, ate que me chamarão para a entrevista com a encarregada do RH da empresa, ela foi muito sutil e muito simpática e disse que me chamarão mesmo, pois coloquei no meu currículo que era trans masculino e lá para cobranças só trabalhão homens, fiquei extremamente surpreso e feliz, e ela me disse que me ligaria caso eu fosse selecionado.

Quando foi ontem de manha meu celular toca e era ela mesma já me tratando pelo meu nome social me disse: “Gabriel você pode passar aqui na empresa para nos falarmos”. Eu prontamente disse que sim claro e passei lá e fui surpreendido com os papeis do exame médico no qual fui fazer hoje de manhã e já foram encaminhados para a empresa agora é só esperar para começar logo o trabalho.

Queria muito dividir isso com vocês para verem que as coisas estão mudando e estamos sendo ouvidos e isso dará força a cada dia para continuarmos a nossa luta, então não desistam e pensem sempre positivo porque a negatividade não nos leva a nenhum lugar. Boa sorte a todos e um forte abraço.

Miss canadense é desclassificada do concurso mundial por ser transexual

FONTE: MDIG



Jenna Talackova, de 23 anos, de nacionalidade canadense, era uma das 65 finalistas selecionadas para o concurso "Miss Universo", evento organizado pelo magnata norte-americano Donald Trump. E conquanto figurava entre as três favoritas a receber a coroa de diamantes no final, os organizadores decidiram desqualificá-la. A razão? Talackova nasceu homem






 -- "Ela não tem os requisitos necessários  para competir no concurso, e isso foi lembrado em diversas oportunidades no módulo de inscrição", manifestaram os realizadores  da 61º edição do concurso de beleza e talento em um comunicado.


Em sua conta no Twitter, a expulsa ataca à organização acusando-a de discriminação. Nesse sentido, manifesta não querer se render e deseja continuar discutindo o assunto como forma de permanecer no concurso. As opiniões sobre o caso são bastante controversas. Para alguns ela deve lutar até o final enquanto para outros deve fazer as malas e ir para casa, já que o concurso é para mulheres que nasceram como tais.


"Jenna Talackova sente-se uma verdadeira mulher e é uma verdadeira mulher. Não esperava que colocassem isso em discussão", disse por sua vez o diretor do evento, Denis Dávila. Não obstante sublinha: - "As regras são muito claras e não existe forma de voltarmos atrás"
Para competir no "Miss Universo Canadá", as aspirantes devem satisfazer alguns requisitos fundamentais: ser cidadãs canadenses, ter entre 18 e 27 anos e não estar grávidas. Não obstante, o regulamento não faz nenhuma menção sobre a mudança de sexo ou intervenções de cirurgia estética.

sábado, 24 de março de 2012

Publicidade Mútua

Oi gente, eu vim aqui hoje dar uma dica de um blog interessante, também voltado para o nosso público trans, é cheio de conteúdo, garanto que vão gostar:


http://transgendervideos.blogspot.com.br/